Destinos Cruzados
Capítulo I
As vezes ela se perguntava o porque de sua vida não ser diferente. O porque de não ter terminado o segundo grau e não ter ido para uma faculdade prestigiada fazer sua tão sonhada faculdade de Medicina, e o porquê de não ter uma vida normal, o porquê de não estar casada com o amor de sua vida. Mas, então, ela pensava que o melhor era não se perguntar, por que no final nada mudaria.
No final ela continuaria sentido falta do que poderia ter sido e não foi; no final ela continuaria sentindo a falta dele também ela já sabia as respostas para todas aquelas perguntas. Ela sabia quem era o culpado. A pessoa que causara todos os seus problemas. Ele possuía um nome, um rosto e um só objetivo, que era destruir sua vida.
Mas, ela só não entendia o porquê dele, Sasori, ter essa obsessão doentia por ela. Ela não era especial, ela não se sentia especial. Ela sempre fora tão normal... Comum demais até, exceto, talvez, por seus cabelos róseos e sua testa um pouco grande demais. Claro que as pessoas falavam que ela era bonita, elas até diziam que ela era linda... Parecida com uma boneca de porcelana delicada... Eles diziam. Mas ela não dava atenção... Ela nunca dera atenção, exceto, talvez, quando ele dissera. Ele, o único homem de sua vida... De seu coração. Sasuke Uchiha.
Ela se lembrava com nitidez quando ele lhe dirigira a palavra pela primeira vez. Era como se revivesse aquela cena cada vez que se lembrava. Ela estava na sétima serie do primeiro grau e ele no segundo ano do segundo grau. Ela estava sozinha na biblioteca da escola estudando, e ele chegara e trancara a porta, ela havia ficado com medo na ocasião, então ele a olhara com olhos negros misteriosos e lhe dissera com um sorriso prepotente nos cantos dos lábios que ela era... Bonita... Diferente... E que ele a queria para si. Ela se sentira tão feliz, por que ela também o queria. Ela sempre o quisera, desde de seus dez anos de idade, quando o via passar pela rua onde morava.
Ela era apaixonada por ele desde a primeira vez que o vira. Ela vivera um conto de fadas ao lado dele, então num passe de mágica tudo se acabara. Ele fora embora sem dizer adeus ou se explicar, e ela ficara sozinha. Era estranho o modo como ainda se lembrava dele. De cada detalhe dele. Já havia se passado tanto tempo, nove anos para ser exata, nove anos desde a última vez que se falaram. Mas talvez não fosse tão estranho assim, por que afinal ela tinha do seu lado uma cópia exata dele. Com os mesmos cabelos negros e rebeldes, olhos ônix e pele clara, chegava até ser engraçado o modo como até o humor deles eram parecidos. Calados e irritadiços...
O telefone na sala tocou. O toque era baixo. Mas ela escutou, ela sempre escutava. No quinto toque ela atendeu e o que ouviu a fez gelar. “Ele a encontrou... Dez horas até que ele chegue a vocês” - Uma voz baixa falou ao telefone. – “Seus passaportes e passagens estão na “gaveta”, seja rápida”. Sakura estava tremendo quando desligou o telefone celular. “Não, isso não poderia estar acontecendo...” Ela havia feito tudo direito, as identidades falsas, as lentes de contato, a peruca... Ele não podia tê-la encontrado. Aquele pesadelo não deveria mais acontecer, ela havia acreditado que o disfarce era perfeito, ela havia acreditado que ele desistiria, que ele a deixaria em paz depois de três anos. Mas não, o pesadelo era real e estava mais próximo do que nunca. Exigindo o próprio autocontrole, ela voltou para o quarto e olhou para a cama. Seu medo se transformou em obstinação quando fitou o ser sobre ela. Seu filho. Sua única razão de viver. Era por ele que ela vivia de cidade em cidade, era só por ele que ela trocara de nome, era só por ele que ela vivia fugindo como se fosse uma criminosa. Era só por ele que ela não desistia e por ele ela nunca desistiria. “Kenshin...” Ela o chamou apressadamente. Ele abriu os olhos negros sonolentos e a fitou confuso. “Temos que ir... Pegue sua mochila depressa.”. Ao contrário do que se espera de uma criança de nove anos, ele não se queixou ou perguntou o porquê de estar se levantando tão tarde. Como se estivesse habituado àquela rotina, ele se levantou e seguiu direto para o banheiro. Trinta minutos depois eles pegavam um taxi em direção à estação de trem.
Sakura usava uma peruca de cabelos longos e negros e escondia os expressivos olhos verdes com um par de lentes de contato na cor marrom. Chegando à estação de trem, Sakura pegou os passaportes e identidades com nomes falsos que estavam guardados nos cofres públicos e seguiram para o Aeroporto de Cairns para embarcarem em direção à cidade de Sydney. Três horas depois desembarcava, tensa, com um Kenshin sonolento ao seu lado e seguia em direção a uma locadora de automóveis.
“Para onde vamos?” A voz baixa e infantil de Kenshin a fez desviar a atenção da estrada para olhar pelo retrovisor e fitá-lo. “Vamos ficar com Shizune-san por um tempo” Disse. Ela reparou pelo retrovisor quando os olhos escuros de Kenshin se cerraram em desaprovação. “Não acredito que não esteja com saudades da Shizune-san, ela vai ficar muito feliz ao te ver.”. “Ele não irá nos achar de novo, não é mesmo, mamãe...?” O medo na voz dele fez o coração de Sakura se apertar, e ela quase deixou as lágrimas rolarem por sua face. A primeira vez que Sasori a havia descoberto Kenshin tinha cinco anos de idade, Sasori lhe dissera que deixaria o garoto ir, contanto que ela ficasse com ele, no dia aceitara a oferta na hora. Ela nunca colocaria a vida de seu filho em risco. Uns dos capangas de Shizune levara Kenshin para um local seguro enquanto Sasori a levava para sua mansão. Sakura só conseguira fugir de Sasori duas semanas depois. Quando tivera certeza que Kenshin estava seguro. Ela nunca contara a ninguém o que havia acontecido durante as semanas em que ficara sob a mercê dele. Ela se lembrava muito bem de como Kenshin ficara abalado quando a viu. Ela estava muito machucada, e ele muito assustado, com medo de que ela o deixasse de novo ele a fez prometer que nunca o deixaria sozinho novamente. E ela prometera. Ela iria cumprir essa promessa, custasse o que custasse. “Não, ele não irá nos achar.” Ela sussurrou. E lhe deu um pequeno sorriso. Como se o destino zombasse de suas palavras, Sakura percebeu quando um carro preto começou a segui-la. Ela tinha certeza que deveria ser algum dos homens de Sasori. Aumentou a velocidade do carro e quase agradeceu por a estrada estar vazia àquela hora da madrugada. “Kenshin, quero que fique abaixado.” Mandou. “A mamãe vai correr.” Em um momento ela estava deixando seu perseguidor para trás e no outro ele estava esbarrando no seu carro, tentando jogá-la para fora da pista. Ela pisou com mais força no acelerador, aumentando a distância entre os carros. Cem metros a frente havia uma curva extremamente
perigosa que dava para um precipício. Ela conhecia aquela curva, muito bem por sinal, e foi por isto que ela acelerou mais. O carro derrapou quando entrou na curva a mais de 180km por hora, indo parar na contra mão e por pouco ela não caíra lá embaixo. Entretanto, seu perseguidor não teve a mesma sorte ao tentar fazer a curva em alta velocidade e caíra no precipício. “Você está bem?” Sakura perguntou, enquanto sentia a adrenalina correr por suas veias e reduzia a velocidade do carro. “Sim...” “Isso é bom por que nós estamos...” Não teve tempo de terminar a frase, pois seu carro quase colidiu com outro que vinha em sentido contrário ao seu. No desespero em desviar acabou saindo da pista e batendo em uma árvore. “Kenshin...” Foi a única coisa que conseguiu pronunciar antes de tudo se apagar.
*** Sydney, Austrália, 04h30min da madrugada....
Sasuke Uchiha não estava em um dia bom, ou em uma madrugada boa. Estava retornando da festa de aniversário que seu irmão Itachi havia preparado para ele quando de repente um carro que vinha na contra mão quase colidiu com o seu. Freou o carro bruscamente quando viu que o outro veículo bateu contra uma árvore. Em instantes ele estava fora de seu carro, acionando o resgate, enquanto seguia em direção ao carro acidentado. Com a ajuda de uma lanterna ele conseguiu ver o interior do carro. “Droga...” Praguejou quando viu que havia uma criança no banco de trás, lutando contra o cinto que o prendia seguramente no banco. O garoto gritava, ele percebeu. No banco da frente havia uma mulher, ele não conseguia enxergá-la direito por causa do aibarg, ele conseguia ver parcialmente fios rosas misturados a negros. Aquele tom de rosa no cabelo dela... “Sakura... ”.
Capítulo II
Sydney, Austrália, 17horas e 35minutos...
Ele estava mais calado. Apesar de que ele sempre o foi. A expressão estava mais fechada que o normal e o olhar distante. Perdido em pensamentos Sasuke estava.
“Sakura” Ele sussurrou o nome dela sem nem ao menos perceber.
Nove anos que ele não a via, nove anos que ele não sabia nada a respeito dela, nove anos em que ela saíra de sua vida, e de repente ela aparecera do nada e agora estava ali, inconsciente, em uma cama no quarto do décimo andar do hospital.
Os médicos disseram que ela não corria risco de vida e que acordaria a qualquer momento. Por sorte a batida não fora forte o suficiente para causar muitos danos.
Coincidência ou destino? Ele se perguntava. Não, ele não acreditava em destino. Talvez, sim, uma grande coincidência ela quase bater no seu carro no meio da estrada com uma criança no banco de trás. Uma criança que era o mesmo que se ver dezenove anos atrás.
Ele se aproximou da cama onde Sakura estava. Ela não havia mudado quase nada durante aqueles anos, ele percebeu... Ela ainda era bonita... Muito bonita. Com os mesmos traços delicados e femininos de quando ainda era adolescente.
Mas ele sabia que aquilo tudo era só fachada, ele sabia que ela não era mais uma menininha inocente. Agora ela era uma mulher, uma mulher que usava identidades falsas e tinha um filho... Um filho no qual tudo indicava que era seu também.
Sasuke havia se responsabilizado por tomar conta do garoto quando a policia chegou para fazer a ocorrência. Claro que ele só conseguira por que havia quebrado “muitos galhos” para o diretor geral da policia local quando era um agente do Serviço Secreto Australiano. Se não fosse por isso, o garoto com certeza estaria esperando a mãe acordar para ir buscá-lo em um orfanato qualquer da cidade.
“Kenshin” Ele falou baixo. Sasuke não sabia o porquê, mas gostava do nome, ele achava que combinava com o garoto.
"Ela é a minha mãe." O garoto dissera em meio às lágrimas quando lhe perguntara quem era a moça dirigindo o veículo. Depois o garoto não falou mais nada.
Sasuke percebeu que o garoto era esperto quando o mesmo se recusara a responder qualquer pergunta sobre si e sua mãe. “Quem é o seu pai?”, “Por que sua mãe estava usando peruca e lentes de contato?”, “E por que ela estava usando um nome que não era dela?” Nenhuma daquelas perguntas o garoto respondeu. Somente dissera que tinha que ligar para sua tia para que ela viesse buscá-los. Sasuke oferecera o seu telefone para o garoto ligar, mas este recusou e usara um aparelho celular que havia dentro da mochila que carregava.
O garoto havia acabado de pegar no sono sobre o sofá quando Shizune chegou. Ele havia ficado o tempo todo ao lado da mãe depois que ela fora liberada para o quarto. Ele não havia tirado os olhos dela nem um segundo sequer, como se temesse que ela desaparecesse a qualquer momento.
Aquela não era uma criança normal. Sasuke pensou. Ele parecia adulto demais para sua idade.
“Sasuke-san.” Shizune o cumprimentara.
“Shizune.”
“Como Sakura está?” Ela lhe perguntara.
“Duas costelas trincadas, ela deve acordar a qualquer momento.” Sasuke repetiu as palavras do médico.
“Eu agradeço por ter tomado conta de Sakura e Kenshin até agora.” Shizune disse. “Mas agora que eu cheguei você não é mais necessário, eu tomo conta deles daqui em diante.”
Um sorriso sarcástico enfeitou a face de Sasuke quando ele fitou Shizune. “Acha mesmo que irei sair daqui sem ter algumas respostas?” Ele perguntou sério.
“Não há nada que seja da sua conta aqui, Uchiha, cuide de seus assuntos.”
“Esse garoto é assunto meu.”
“Você não vai ter as respostas que procura, Uchiha.”
“Ah, sim, eu vou.” Disse ameaçadoramente. “Nem que eu tenha que arrancá-las.”
***
“Parece que você quer fazer sexo com ela.” A voz irônica de seu irmão Itachi se fez presente no quarto. “Se os médicos te pegarem a olhando assim, vão te colocar pra fora.” Sasuke ignorou a brincadeira. “Onde esta o garoto?” Perguntou.
“Está com Naruto, aquele desmiolado tem jeito com crianças.”
“E Shizune, onde está?”
“Estou aqui.” Os dois pares de olhos ônix se viraram para encarar a mulher de olhos amendoados. “Uchiha-san...” Ela disse.
“É melhor você me deixar ficar com Kenshin enquanto Sakura se recupera, ela irá preferir assim...”
“Você não vai levá-lo.” Sasuke a cortou. “Ele vai ficar comigo.”
“O que te faz pensar que tem algum direito sobre...”
“Ele é meu filho.” Sasuke rosnou. “Quero você e sua corja de mafiosos longe dele...”
“Eu e minha corja de mafiosos somos o que manteve Sakura e seu filho vivo até hoje...” Ela rebateu no mesmo tom, se arrependendo no mesmo instante. “Maldito Uchiha.” Ela praguejou alto quando percebeu que havia mordido a isca.
Sakura nunca iria perdoá-la se soubesse que revelara seu segredo para ninguém menos que Sasuke Uchiha.
“Em que Sakura está metida para precisar da proteção de mafiosos para si e para meu filho?”
“Isso não é da sua conta e nem da sua responsabilidade.”
“Ele é minha responsabilidade a parti de agora.”
“Sakura não irá aceitar isso...”
“Sakura perdeu o direito assim que bateu naquela árvore com o meu filho dentro do carro.”
“É melhor vocês se retirarem” A enfermeira disse quando entrou no quarto. “A paciente precisa descansar e vocês estão falando muito alto.”
Sasuke tinha um sorriso prepotente e sem humor nos lábios enquanto saía do quarto em direção ao saguão do hospital. Um filho... Ele tinha um filho. Um garoto... Seu garoto... Kenshin.
Ele não sabia o que sentir com aquela constatação. Não sabia se sentia-se feliz... Ou irado... Irado com Sakura. Com que direito ela lhe escondera durante todos aqueles anos a existência do filho...? De seu filho... O filho deles.
“Acha mesmo que o garoto é seu?” Itachi perguntou enquanto seguia o irmão.
“O que você acha?” Sasuke ironizou.
“Um DNA resolveria essa questão rapidamente.”
“Eu só preciso da confirmação da mãe dele para ter certeza que ele é meu.”
“A arrogância e o mau gênio são idênticos ao seu, fora a aparência.”
“Hn...”
“O que você pretende fazer em relação ao garoto?”
“Se o garoto for um Uchiha, ele ficara com a família Uchiha.”
“Em relação à mãe dele, o que você pretende?” Sasuke inspirou profundamente antes de responder a pergunta de seu irmão.
“Não sei.” Mentiu. Na realidade ele sabia muito bem o que fazer. Ele já sabia o que fazer antes mesmo de ter a certeza que Kenshin era seu.
***
Sydney, Austrália, 19 horas e 07 minutos...
Quando abriu os olhos, estranhou o local. Branco. Tudo era branco, e havia também um cheiro forte e desagradável. Cheiro de hospital.
Quando ela se deu conta que estava em um hospital tudo que havia acontecido veio em sua mente como em um filme: A ligação, os passaportes, perucas, lentes de contato, viagem, a locação do carro, a perseguição e o... Acidente.
“Kenshin” Foi a primeira palavra que ela disse quando se lembrou do acidente. Com medo do que poderia ter acontecido a seu filho ela tentou se sentar, mas foi impedida por mãos firmes.
“Acalme-se, Sakura-chan.” Shizune pediu. “Você não pode se mover tão depressa, você acabou de acordar de um acidente e...”
“Kenshin...” Sakura a cortou. “Onde está Kenshin?” Perguntou, entrando em desespero.
“Ele está bem...” Shizune tentou tranquilizá-la.
“Onde está meu filho, Shizune?”
“...”
O silêncio de Shizune quase a enlouqueceu.
“Onde está meu filho, Shizune?” Gritou.
“Ele está comigo.”
Sakura desviou sua atenção para a porta ao ouvir a voz da pessoa que ela nunca havia esquecido, e que nunca pensou que fosse encontrar novamente.
“Sasuke...”
Capítulo III
Ela não saberia descrever o que sentiu ao vê-lo novamente. Era uma mistura de emoções que faziam seu coração bater descontroladamente dentro do peito. Um misto de mágoa, nervosismo, alegria, raiva... Felicidade... Medo. Eram tantas sensações ao mesmo tempo que, por alguns segundos, ela só ficara ali, olhando para ele sem conseguir dizer nada.
Vendo como Sakura havia ficado perdida ao ver Sasuke, Shizune resolvera interferir.
“Sakura...” Shizune disse temerosa. “Foi Sasuke-san que socorreu você e Kenshin na estrada.” Explicou.
Ouvir o nome de Kenshin fez com que Sakura saísse do transe em que se encontrava e voltasse a fita-la. “Ele está bem?” Ela perguntou. E era quase tangível o medo e a preocupação nos olhos esmeraldas dela.
Ela o amava, Sasuke percebeu. Mas todas as mães amam seus filhos.
“Ele não tem sequer um arranhão” Shizune a tranquilizou.
“Graças a Deus.” Sakura sussurrou. “Onde ele está? Eu quero vê-lo.”
“Ele está com Naruto e Itachi.” Sasuke respondeu antes que Shizune pudesse fazê-lo.
“Naruto está aqui também?”
Sasuke reparou no modo como os olhos dela brilharam e um quase sorriso se desenhou nos lábios cheios e vermelhos quando ele confirmara com a cabeça que Naruto também estava ali. E ele tentou se convencer que o desagrado que isso lhe causou não era por que se importava por ela não haver sorrido quando o vira ali.
“Eu vou Buscar Kenshin” Shizune disse enquanto saia do quarto os deixando a sós.
****
Sakura poderia dizer que o clima no quarto ficara no mínimo constrangedor depois que Shizune saíra, deixando-a sozinha com Sasuke.
Ela sentia como se tivesse quatorze anos novamente. “O... Obrigada.” Ela dissera quando o silêncio ficou pesado demais para suportar.
“Não há de quê” A voz dele saíra baixa e rouca enquanto caminhava para perto da cama onde ela estava deitada. “Como está se sentindo?” Ele perguntou a fitando intensamente.
“Bem, obrigada...”
“Isso é ótimo.” Sasuke falou sombriamente, fazendo Sakura o fitar alarmada. “Por que eu quero algumas respostas, e não estou disposto a esperar.”
***
No fundo ela sabia que não teria como fugir dele. Ela soube desde o momento que ele se fizera presente no quarto. E ela também sabia que ele com certeza já deveria saber que Kenshin era deles.
Qualquer um que conhecesse Sasuke e Kenshin saberia que eles eram pai e filho. Eles eram tão idênticos. Os traços, o gênio, tudo. Eles eram cópias exatas um do outro.
“Não sei do que você está falando.” Ela disse, tentando ganhar tempo. Ela ainda não estava preparada para enfrentá-lo. Ela ainda não estava preparada para falar sobre Kenshin com ele.
“Não se faça de boba, Sakura... Você sabe muito bem do que estou falando.” A voz de Sasuke se tornou irritada. “Vou perguntar somente uma vez, e quero a verdade... Não tente mentir para mim por que senão você vai se arrepender.”
A ameaça contida na voz de Sasuke era tão nítida para Sakura que por um momento ela desejou poder acordar e descobrir que tudo não se passava de um pesadelo. Um grande e terrível pesadelo.
“O garoto é meu...? Aquele garoto é um Uchiha?” A pergunta foi direta. Os olhos ônix dele não desgrudaram dos verdes dela enquanto esperava a resposta que ele já sabia.
“Ele é meu.” Foi a resposta evasiva de Sakura. Ela não iria dizer a ele tão facilmente, apesar de todos aqueles anos em que ficara sem vê-lo. Ela não havia se esquecido de como os grandes e poderosos Uchihas se achavam donos de todos e de tudo. Ela lembrava-se muito bem do lema que Fugaku Uchiha sempre repetia quando via que ela havia dormido no quarto de Sasuke: “Qualquer criança que nasça com a dádiva do sangue Uchiha ficará com os Uchiha.”.
Para muitos, aquelas palavras não continham significado algum. Mas para ela continham. Aquelas palavras sempre foram um aviso. E
Sakura entendia aquele aviso muito bem. Nunca fora segredo pra ninguém e muito menos para ela que Fugaku Uchiha não gostava do relacionamento dela com seu filho caçula. Ele sempre a vira como uma golpista, e sempre fizera questão de deixar aquilo bem claro.
“Não brinque comigo, Sakura.” A voz impaciente e irritada de Sasuke a fez desviar a atenção novamente para ele. “Eu não estou em um bom dia, então...”
“Ele não é seu” Sakura o cortara. “Ele é meu... Kenshin não tem nada a ver com você e sua família.”
Se a voz dela não tivesse soado tão desesperada, Sasuke talvez poderia ter lhe dado o beneficio da dúvida. Mas não, Sasuke sabia muito bem como detectar uma mentira quando escutava e via uma.
“Tudo bem, então...” Ele disse e Sakura quase que respirara aliviada. “Se você prefere assim... Talvez um DNA possa esclarecer...”
“Não se atreva a tocar em meu filho!” Sakura gritou. “Eu não irei permitir isso nunca, eu sou a mãe e não autorizo fazer qualquer tipo de exame no meu filho.”
“E que tipo de mãe é você?” Sasuke disse sarcástico, fazendo Sakura se calar. “Um tipo de mãe que usa nomes falsos?” Perguntou. “Que coloca a vida do filho em risco ao dirigir feito uma louca? Que tipo de mãe é você, Sakura?!” Sasuke gritou. “Um tipo de mãe que deixa um maníaco aterrorizar o filho...” As mãos dele seguraram os braços dela, fazendo-a fitá-lo assustada.
“O que você sabe sobre isso?” Ela perguntou. Os olhos verdes se enchendo de lágrimas enquanto era presa pelas mãos firmes de Sasuke.
“Diga-me, Sakura: Ele é meu?” Sasuke a cortou. “Kenshin é nosso filho?”
“Eu...” Sakura desviou o olhar do dele. “Não posso.” Sussurrou. “Não... Por favor, vá embora.”
Sasuke sabia que tinha que se acalmar. Ele tinha que se acalmar antes que as enfermeiras entrassem no quarto e o botassem para fora. Mas simplesmente ele não conseguia. Ele não conseguia se acalmar sabendo que Sakura estava mentindo, ele sabia que Kenshin era seu. Kenshin tinha que ser seu.
“Eu não vou embora, Sakura... Não até que você me diga toda a verdade.”
“Não há nada para você saber.” Sakura gritou, aos prantos. “Vá embora, me deixe em paz... Você não irá tirar meu filho de mim.”
Os aparelhos que a monitoravam apitaram denunciando o estado alterado no qual ela se encontrava.
“Acalme-se, Sakura.” Sasuke falou, tentando mantê-la quieta. “Acalme-se...”
“Solta a minha mãe.” A voz infantil e rouca de Kenshin se fez presente no quarto e Sasuke se amaldiçoou internamente. Ele saiu de perto de Sakura no mesmo instante em que Kenshin fora correndo para o lado da mãe. Foi com um aperto estranho no peito que Sasuke assistiu Kenshin levar as pequenas mãos ao rosto de Sakura e limpar as lágrimas que escorriam pelo rosto avermelhado dela. “Não chore, mamãe...” Kenshin pediu baixinho e Sasuke resolvera sair do quarto naquele momento, mas não sem antes escutar Kenshin dizer: “A Shizune-san vai cuidar da gente” ****
“Parabéns irmãozinho tolo...” Itachi disse quando encontrou Sasuke. “Você conseguiu fazer seu filho te odiar antes mesmo de te conhecer.”
“Como ela está?” Sasuke perguntou sem fitar o irmão.
“A enfermeira aplicou um calmante nela, ela está dormindo.” Sasuke respirou fundo.
“E o garoto?”
“Está com ela, Naruto está tentando convencê-lo a ir pra casa com a gente.”
“Você e essa sua mania de querer respostas na hora.” Itachi disse.“Não podia esperar até que ela tivesse alta para poder confrontá-la?”
“Não gosto de esperar.” Sasuke respondeu, dando de ombros.
“Ela te contou?” Itachi perguntou.
“Não... Mas ela irá contar.”
“Você não está mais no serviço secreto para poder arrancar a verdade das pessoas a força, Sasuke... Você perdeu uma grande oportunidade de ganhar o amor de seu filho.”
“O que você quer dizer?”
“O que você quer dizer?”
“Quero dizer que agora ele o vê como um cara mau que fez sua mãe chorar, não vai ser tão fácil conquistá-lo.”
“Hn...”
“O garoto a adora, Sasuke, se você tivesse ficado por mais alguns segundos no quarto você teria visto o tanto que eles se amam.”
Sasuke ia dizer algo, mas foi impedindo quando fora agarrado pelos ombros e virado rapidamente, levando um soco no rosto em seguida.
“Mas que merda...” Sasuke rosnou, levando as mãos ao queixo que doía.
“Teme, idiota!” Naruto gritou. “O que achou que estava fazendo com a Sakura-ch...”
Outro soco foi desferido, só que daquela vez por Sasuke.
“Cala a boca, Dobe...” Mandou “Onde está Kenshin?”
“Onde você acha que ele está?”
“Dobe...” Sasuke disse ameaçadoramente. “Onde ele está?”
“Perto da mãe, é claro.” Naruto disse alto. “Ele não quer sair de perto dela de jeito nenhum, graças a você, idiota, que fez a mãe dele chorar.”
“Cala essa boca, Dobe.” Sasuke disse baixo enquanto levava as mãos nervosamente aos cabelos negros e rebeldes.
“Já sabe o que vai fazer agora, irmãozinho?” Itachi perguntou divertido. Há tempos ele não via o irmão tão frustrado e irritado. Isso era bom no final das contas por que ele já estava se preocupando com o estado de “viver a vida por viver” que Sasuke se encontrava.
“Sei exatamente o que fazer.” Respondeu Sasuke enigmático.
“O quê?” Naruto perguntou sem entender.
“Não é da sua conta, Dobe idiota” Sasuke disse enquanto dava as costas para Naruto e Itachi e seguia em direção a saída do hospital.
Continua...
Sasuke Uchiha não estava em um dia bom, ou em uma madrugada boa. Estava retornando da festa de aniversário que seu irmão Itachi havia preparado para ele quando de repente um carro que vinha na contra mão quase colidiu com o seu. Freou o carro bruscamente quando viu que o outro veículo bateu contra uma árvore. Em instantes ele estava fora de seu carro, acionando o resgate, enquanto seguia em direção ao carro acidentado. Com a ajuda de uma lanterna ele conseguiu ver o interior do carro. “Droga...” Praguejou quando viu que havia uma criança no banco de trás, lutando contra o cinto que o prendia seguramente no banco. O garoto gritava, ele percebeu. No banco da frente havia uma mulher, ele não conseguia enxergá-la direito por causa do aibarg, ele conseguia ver parcialmente fios rosas misturados a negros. Aquele tom de rosa no cabelo dela... “Sakura... ”.
Capítulo II
Sydney, Austrália, 17horas e 35minutos...
Ele estava mais calado. Apesar de que ele sempre o foi. A expressão estava mais fechada que o normal e o olhar distante. Perdido em pensamentos Sasuke estava.
“Sakura” Ele sussurrou o nome dela sem nem ao menos perceber.
Nove anos que ele não a via, nove anos que ele não sabia nada a respeito dela, nove anos em que ela saíra de sua vida, e de repente ela aparecera do nada e agora estava ali, inconsciente, em uma cama no quarto do décimo andar do hospital.
Os médicos disseram que ela não corria risco de vida e que acordaria a qualquer momento. Por sorte a batida não fora forte o suficiente para causar muitos danos.
Coincidência ou destino? Ele se perguntava. Não, ele não acreditava em destino. Talvez, sim, uma grande coincidência ela quase bater no seu carro no meio da estrada com uma criança no banco de trás. Uma criança que era o mesmo que se ver dezenove anos atrás.
Ele se aproximou da cama onde Sakura estava. Ela não havia mudado quase nada durante aqueles anos, ele percebeu... Ela ainda era bonita... Muito bonita. Com os mesmos traços delicados e femininos de quando ainda era adolescente.
Mas ele sabia que aquilo tudo era só fachada, ele sabia que ela não era mais uma menininha inocente. Agora ela era uma mulher, uma mulher que usava identidades falsas e tinha um filho... Um filho no qual tudo indicava que era seu também.
Sasuke havia se responsabilizado por tomar conta do garoto quando a policia chegou para fazer a ocorrência. Claro que ele só conseguira por que havia quebrado “muitos galhos” para o diretor geral da policia local quando era um agente do Serviço Secreto Australiano. Se não fosse por isso, o garoto com certeza estaria esperando a mãe acordar para ir buscá-lo em um orfanato qualquer da cidade.
“Kenshin” Ele falou baixo. Sasuke não sabia o porquê, mas gostava do nome, ele achava que combinava com o garoto.
"Ela é a minha mãe." O garoto dissera em meio às lágrimas quando lhe perguntara quem era a moça dirigindo o veículo. Depois o garoto não falou mais nada.
Sasuke percebeu que o garoto era esperto quando o mesmo se recusara a responder qualquer pergunta sobre si e sua mãe. “Quem é o seu pai?”, “Por que sua mãe estava usando peruca e lentes de contato?”, “E por que ela estava usando um nome que não era dela?” Nenhuma daquelas perguntas o garoto respondeu. Somente dissera que tinha que ligar para sua tia para que ela viesse buscá-los. Sasuke oferecera o seu telefone para o garoto ligar, mas este recusou e usara um aparelho celular que havia dentro da mochila que carregava.
O garoto havia acabado de pegar no sono sobre o sofá quando Shizune chegou. Ele havia ficado o tempo todo ao lado da mãe depois que ela fora liberada para o quarto. Ele não havia tirado os olhos dela nem um segundo sequer, como se temesse que ela desaparecesse a qualquer momento.
Aquela não era uma criança normal. Sasuke pensou. Ele parecia adulto demais para sua idade.
“Sasuke-san.” Shizune o cumprimentara.
“Shizune.”
“Como Sakura está?” Ela lhe perguntara.
“Duas costelas trincadas, ela deve acordar a qualquer momento.” Sasuke repetiu as palavras do médico.
“Eu agradeço por ter tomado conta de Sakura e Kenshin até agora.” Shizune disse. “Mas agora que eu cheguei você não é mais necessário, eu tomo conta deles daqui em diante.”
Um sorriso sarcástico enfeitou a face de Sasuke quando ele fitou Shizune. “Acha mesmo que irei sair daqui sem ter algumas respostas?” Ele perguntou sério.
“Não há nada que seja da sua conta aqui, Uchiha, cuide de seus assuntos.”
“Esse garoto é assunto meu.”
“Você não vai ter as respostas que procura, Uchiha.”
“Ah, sim, eu vou.” Disse ameaçadoramente. “Nem que eu tenha que arrancá-las.”
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“Parece que você quer fazer sexo com ela.” A voz irônica de seu irmão Itachi se fez presente no quarto. “Se os médicos te pegarem a olhando assim, vão te colocar pra fora.” Sasuke ignorou a brincadeira. “Onde esta o garoto?” Perguntou.
“Está com Naruto, aquele desmiolado tem jeito com crianças.”
“E Shizune, onde está?”
“Estou aqui.” Os dois pares de olhos ônix se viraram para encarar a mulher de olhos amendoados. “Uchiha-san...” Ela disse.
“É melhor você me deixar ficar com Kenshin enquanto Sakura se recupera, ela irá preferir assim...”
“Você não vai levá-lo.” Sasuke a cortou. “Ele vai ficar comigo.”
“O que te faz pensar que tem algum direito sobre...”
“Ele é meu filho.” Sasuke rosnou. “Quero você e sua corja de mafiosos longe dele...”
“Eu e minha corja de mafiosos somos o que manteve Sakura e seu filho vivo até hoje...” Ela rebateu no mesmo tom, se arrependendo no mesmo instante. “Maldito Uchiha.” Ela praguejou alto quando percebeu que havia mordido a isca.
Sakura nunca iria perdoá-la se soubesse que revelara seu segredo para ninguém menos que Sasuke Uchiha.
“Em que Sakura está metida para precisar da proteção de mafiosos para si e para meu filho?”
“Isso não é da sua conta e nem da sua responsabilidade.”
“Ele é minha responsabilidade a parti de agora.”
“Sakura não irá aceitar isso...”
“Sakura perdeu o direito assim que bateu naquela árvore com o meu filho dentro do carro.”
“É melhor vocês se retirarem” A enfermeira disse quando entrou no quarto. “A paciente precisa descansar e vocês estão falando muito alto.”
Sasuke tinha um sorriso prepotente e sem humor nos lábios enquanto saía do quarto em direção ao saguão do hospital. Um filho... Ele tinha um filho. Um garoto... Seu garoto... Kenshin.
Ele não sabia o que sentir com aquela constatação. Não sabia se sentia-se feliz... Ou irado... Irado com Sakura. Com que direito ela lhe escondera durante todos aqueles anos a existência do filho...? De seu filho... O filho deles.
“Acha mesmo que o garoto é seu?” Itachi perguntou enquanto seguia o irmão.
“O que você acha?” Sasuke ironizou.
“Um DNA resolveria essa questão rapidamente.”
“Eu só preciso da confirmação da mãe dele para ter certeza que ele é meu.”
“A arrogância e o mau gênio são idênticos ao seu, fora a aparência.”
“Hn...”
“O que você pretende fazer em relação ao garoto?”
“Se o garoto for um Uchiha, ele ficara com a família Uchiha.”
“Em relação à mãe dele, o que você pretende?” Sasuke inspirou profundamente antes de responder a pergunta de seu irmão.
“Não sei.” Mentiu. Na realidade ele sabia muito bem o que fazer. Ele já sabia o que fazer antes mesmo de ter a certeza que Kenshin era seu.
***
Sydney, Austrália, 19 horas e 07 minutos...
***
Sydney, Austrália, 19 horas e 07 minutos...
Quando abriu os olhos, estranhou o local. Branco. Tudo era branco, e havia também um cheiro forte e desagradável. Cheiro de hospital.
Quando ela se deu conta que estava em um hospital tudo que havia acontecido veio em sua mente como em um filme: A ligação, os passaportes, perucas, lentes de contato, viagem, a locação do carro, a perseguição e o... Acidente.
“Kenshin” Foi a primeira palavra que ela disse quando se lembrou do acidente. Com medo do que poderia ter acontecido a seu filho ela tentou se sentar, mas foi impedida por mãos firmes.
“Acalme-se, Sakura-chan.” Shizune pediu. “Você não pode se mover tão depressa, você acabou de acordar de um acidente e...”
“Kenshin...” Sakura a cortou. “Onde está Kenshin?” Perguntou, entrando em desespero.
“Ele está bem...” Shizune tentou tranquilizá-la.
“Onde está meu filho, Shizune?”
“...”
O silêncio de Shizune quase a enlouqueceu.
“Onde está meu filho, Shizune?” Gritou.
“Ele está comigo.”
Sakura desviou sua atenção para a porta ao ouvir a voz da pessoa que ela nunca havia esquecido, e que nunca pensou que fosse encontrar novamente.
“Sasuke...”
Capítulo III
Ela não saberia descrever o que sentiu ao vê-lo novamente. Era uma mistura de emoções que faziam seu coração bater descontroladamente dentro do peito. Um misto de mágoa, nervosismo, alegria, raiva... Felicidade... Medo. Eram tantas sensações ao mesmo tempo que, por alguns segundos, ela só ficara ali, olhando para ele sem conseguir dizer nada.
Vendo como Sakura havia ficado perdida ao ver Sasuke, Shizune resolvera interferir.
“Sakura...” Shizune disse temerosa. “Foi Sasuke-san que socorreu você e Kenshin na estrada.” Explicou.
Ouvir o nome de Kenshin fez com que Sakura saísse do transe em que se encontrava e voltasse a fita-la. “Ele está bem?” Ela perguntou. E era quase tangível o medo e a preocupação nos olhos esmeraldas dela.
Ela o amava, Sasuke percebeu. Mas todas as mães amam seus filhos.
“Ele não tem sequer um arranhão” Shizune a tranquilizou.
“Graças a Deus.” Sakura sussurrou. “Onde ele está? Eu quero vê-lo.”
“Ele está com Naruto e Itachi.” Sasuke respondeu antes que Shizune pudesse fazê-lo.
“Naruto está aqui também?”
Sasuke reparou no modo como os olhos dela brilharam e um quase sorriso se desenhou nos lábios cheios e vermelhos quando ele confirmara com a cabeça que Naruto também estava ali. E ele tentou se convencer que o desagrado que isso lhe causou não era por que se importava por ela não haver sorrido quando o vira ali.
“Eu vou Buscar Kenshin” Shizune disse enquanto saia do quarto os deixando a sós.
****
Sakura poderia dizer que o clima no quarto ficara no mínimo constrangedor depois que Shizune saíra, deixando-a sozinha com Sasuke.
Ela sentia como se tivesse quatorze anos novamente. “O... Obrigada.” Ela dissera quando o silêncio ficou pesado demais para suportar.
“Não há de quê” A voz dele saíra baixa e rouca enquanto caminhava para perto da cama onde ela estava deitada. “Como está se sentindo?” Ele perguntou a fitando intensamente.
“Bem, obrigada...”
“Isso é ótimo.” Sasuke falou sombriamente, fazendo Sakura o fitar alarmada. “Por que eu quero algumas respostas, e não estou disposto a esperar.”
***
No fundo ela sabia que não teria como fugir dele. Ela soube desde o momento que ele se fizera presente no quarto. E ela também sabia que ele com certeza já deveria saber que Kenshin era deles.
Qualquer um que conhecesse Sasuke e Kenshin saberia que eles eram pai e filho. Eles eram tão idênticos. Os traços, o gênio, tudo. Eles eram cópias exatas um do outro.
“Não sei do que você está falando.” Ela disse, tentando ganhar tempo. Ela ainda não estava preparada para enfrentá-lo. Ela ainda não estava preparada para falar sobre Kenshin com ele.
“Não se faça de boba, Sakura... Você sabe muito bem do que estou falando.” A voz de Sasuke se tornou irritada. “Vou perguntar somente uma vez, e quero a verdade... Não tente mentir para mim por que senão você vai se arrepender.”
A ameaça contida na voz de Sasuke era tão nítida para Sakura que por um momento ela desejou poder acordar e descobrir que tudo não se passava de um pesadelo. Um grande e terrível pesadelo.
“O garoto é meu...? Aquele garoto é um Uchiha?” A pergunta foi direta. Os olhos ônix dele não desgrudaram dos verdes dela enquanto esperava a resposta que ele já sabia.
“Ele é meu.” Foi a resposta evasiva de Sakura. Ela não iria dizer a ele tão facilmente, apesar de todos aqueles anos em que ficara sem vê-lo. Ela não havia se esquecido de como os grandes e poderosos Uchihas se achavam donos de todos e de tudo. Ela lembrava-se muito bem do lema que Fugaku Uchiha sempre repetia quando via que ela havia dormido no quarto de Sasuke: “Qualquer criança que nasça com a dádiva do sangue Uchiha ficará com os Uchiha.”.
Para muitos, aquelas palavras não continham significado algum. Mas para ela continham. Aquelas palavras sempre foram um aviso. E
Sakura entendia aquele aviso muito bem. Nunca fora segredo pra ninguém e muito menos para ela que Fugaku Uchiha não gostava do relacionamento dela com seu filho caçula. Ele sempre a vira como uma golpista, e sempre fizera questão de deixar aquilo bem claro.
“Não brinque comigo, Sakura.” A voz impaciente e irritada de Sasuke a fez desviar a atenção novamente para ele. “Eu não estou em um bom dia, então...”
“Ele não é seu” Sakura o cortara. “Ele é meu... Kenshin não tem nada a ver com você e sua família.”
Se a voz dela não tivesse soado tão desesperada, Sasuke talvez poderia ter lhe dado o beneficio da dúvida. Mas não, Sasuke sabia muito bem como detectar uma mentira quando escutava e via uma.
“Tudo bem, então...” Ele disse e Sakura quase que respirara aliviada. “Se você prefere assim... Talvez um DNA possa esclarecer...”
“Não se atreva a tocar em meu filho!” Sakura gritou. “Eu não irei permitir isso nunca, eu sou a mãe e não autorizo fazer qualquer tipo de exame no meu filho.”
“E que tipo de mãe é você?” Sasuke disse sarcástico, fazendo Sakura se calar. “Um tipo de mãe que usa nomes falsos?” Perguntou. “Que coloca a vida do filho em risco ao dirigir feito uma louca? Que tipo de mãe é você, Sakura?!” Sasuke gritou. “Um tipo de mãe que deixa um maníaco aterrorizar o filho...” As mãos dele seguraram os braços dela, fazendo-a fitá-lo assustada.
“O que você sabe sobre isso?” Ela perguntou. Os olhos verdes se enchendo de lágrimas enquanto era presa pelas mãos firmes de Sasuke.
“Diga-me, Sakura: Ele é meu?” Sasuke a cortou. “Kenshin é nosso filho?”
“Eu...” Sakura desviou o olhar do dele. “Não posso.” Sussurrou. “Não... Por favor, vá embora.”
Sasuke sabia que tinha que se acalmar. Ele tinha que se acalmar antes que as enfermeiras entrassem no quarto e o botassem para fora. Mas simplesmente ele não conseguia. Ele não conseguia se acalmar sabendo que Sakura estava mentindo, ele sabia que Kenshin era seu. Kenshin tinha que ser seu.
“Eu não vou embora, Sakura... Não até que você me diga toda a verdade.”
“Não há nada para você saber.” Sakura gritou, aos prantos. “Vá embora, me deixe em paz... Você não irá tirar meu filho de mim.”
Os aparelhos que a monitoravam apitaram denunciando o estado alterado no qual ela se encontrava.
“Acalme-se, Sakura.” Sasuke falou, tentando mantê-la quieta. “Acalme-se...”
“Solta a minha mãe.” A voz infantil e rouca de Kenshin se fez presente no quarto e Sasuke se amaldiçoou internamente. Ele saiu de perto de Sakura no mesmo instante em que Kenshin fora correndo para o lado da mãe. Foi com um aperto estranho no peito que Sasuke assistiu Kenshin levar as pequenas mãos ao rosto de Sakura e limpar as lágrimas que escorriam pelo rosto avermelhado dela. “Não chore, mamãe...” Kenshin pediu baixinho e Sasuke resolvera sair do quarto naquele momento, mas não sem antes escutar Kenshin dizer: “A Shizune-san vai cuidar da gente” ****
“Parabéns irmãozinho tolo...” Itachi disse quando encontrou Sasuke. “Você conseguiu fazer seu filho te odiar antes mesmo de te conhecer.”
“Como ela está?” Sasuke perguntou sem fitar o irmão.
“A enfermeira aplicou um calmante nela, ela está dormindo.” Sasuke respirou fundo.
“E o garoto?”
“Está com ela, Naruto está tentando convencê-lo a ir pra casa com a gente.”
“Você e essa sua mania de querer respostas na hora.” Itachi disse.“Não podia esperar até que ela tivesse alta para poder confrontá-la?”
“Não gosto de esperar.” Sasuke respondeu, dando de ombros.
“Ela te contou?” Itachi perguntou.
“Não... Mas ela irá contar.”
“Você não está mais no serviço secreto para poder arrancar a verdade das pessoas a força, Sasuke... Você perdeu uma grande oportunidade de ganhar o amor de seu filho.”
“O que você quer dizer?”
“O que você quer dizer?”
“Quero dizer que agora ele o vê como um cara mau que fez sua mãe chorar, não vai ser tão fácil conquistá-lo.”
“Hn...”
“O garoto a adora, Sasuke, se você tivesse ficado por mais alguns segundos no quarto você teria visto o tanto que eles se amam.”
Sasuke ia dizer algo, mas foi impedindo quando fora agarrado pelos ombros e virado rapidamente, levando um soco no rosto em seguida.
“Mas que merda...” Sasuke rosnou, levando as mãos ao queixo que doía.
“Teme, idiota!” Naruto gritou. “O que achou que estava fazendo com a Sakura-ch...”
Outro soco foi desferido, só que daquela vez por Sasuke.
“Cala a boca, Dobe...” Mandou “Onde está Kenshin?”
“Onde você acha que ele está?”
“Dobe...” Sasuke disse ameaçadoramente. “Onde ele está?”
“Perto da mãe, é claro.” Naruto disse alto. “Ele não quer sair de perto dela de jeito nenhum, graças a você, idiota, que fez a mãe dele chorar.”
“Cala essa boca, Dobe.” Sasuke disse baixo enquanto levava as mãos nervosamente aos cabelos negros e rebeldes.
“Já sabe o que vai fazer agora, irmãozinho?” Itachi perguntou divertido. Há tempos ele não via o irmão tão frustrado e irritado. Isso era bom no final das contas por que ele já estava se preocupando com o estado de “viver a vida por viver” que Sasuke se encontrava.
“Sei exatamente o que fazer.” Respondeu Sasuke enigmático.
“O quê?” Naruto perguntou sem entender.
“Não é da sua conta, Dobe idiota” Sasuke disse enquanto dava as costas para Naruto e Itachi e seguia em direção a saída do hospital.
Continua...
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